A primeira vez que vim aos States foi a Miami, tinha nove anos e foram umas férias fantásticas. Depois, quando voltei a pisar as terras americanas já tinha 16 anos, fui a NY, para procurar casa para a minha irmã, mas também passei duas semaninhas de férias na cidade que nunca dorme. E foi nessa viagem que fiquei maravilhado com este país. Era tudo diferente, os prédios eram (são) enormes, há muito mais lojas, e muito maiores, há muito mais gente, mais carros, mais barulho, mais encanto. E, por isto tudo, decidi que ia viver com a minha irmã para Nova York. Até que aos 18 anos vim à Califórnia. Nunca pensei que ficasse tão encantada com um cidade (até porque LA, para muitas pessoas, não é um destino de eleição). E lá vim eu para a West Coast viver o American Dream. Era tudo perfeito menos... os americanos convencidos que são os reis do mundo (pelo menos alguns).
Quando me apresentei na escola e disse que era portuguesa ficaram todos a olhar para mim, do género: "Where is Portugal? That's a country or a city?". Quando dizia que em Portugal não havia aquela loja ou a outra, ou que não tinhas aquele hábito, diziam que eu vinha de uma terrinha e que aquilo é que era a realidade. Levei muitos nãos por não ser americana.
Na universidade haviam várias equipas de várias modalidades e os capitães eram sempre americanos nem que o melhor ou a melhor fosse estrangeiro. As festas eram sempre organizadas pelos americanos que tinham a mania que eram muito bons, que eram muito sociais, que tinhas as raparigas, no caso dos rapazes, todas aos pés deles e, no caso das raparigas, que todos os rapazes olhavam todos para o rabo e as mamas delas. Nas milhas primeiras férias não fui a Portugal, mas fui a Miami com os mesmo colegas de escola. E aquilo que aos nove anos achei fantástico, desvaneceu-se porque os americanos continuavam a pensar que eram os maiores. O meu grupo de amigas era muito diversificado, umas eram porquinhas, outras geeks e outras eram normais (eu e mais duas ou três, era-mos 15). Quando lhes dizia que em Portugal não havia Victoria's Secret, que não havia Topshop e essas lojas assim, e que só tinhas roupas de lojas que elas não conheciam, até as nerds olhavam de lado, como se fosse estranho não haver essas lojas noutros países.
Outro acontecimento trágico foi quando trouxe duas amigas e dois amigos a Portugal. Eu gostava muito deles mas a partir dai cortei relação, porque cada vez que entravam num café achavam que deviam ser atendidos antes dos outros por serem turistas, quando ia-mos aos museus eles tinham de passar à frente de todos, achavam que tinham o direito de fazer tudo. Até que um dia fizeram o pior de tudo. Fomos sair à noite e pediram imensas bebidas, e como estavam outras pessoas à frente deles aquilo demorou algum tempo. Não é que começaram a atirar notas (dinheiro, e muito) pelo ar, para mostrarem que tinham dinheiro e que podiam fazer o que quisessem. Foram umas férias horríveis. Mas não voltou a acontecer, ainda bem.
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